Entender como solicitar voo no SARPAS é uma etapa essencial para realizar operações regulares com drones. O SARPAS é a plataforma do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) utilizada para solicitar acesso ao espaço aéreo brasileiro por aeronaves não tripuladas.
O sistema não cadastra a propriedade do drone nem substitui a regularização realizada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Sua função é receber e processar solicitações de utilização de determinado volume do espaço aéreo.

O que é necessário antes de acessar o SARPAS?
Antes de iniciar o pedido, organize as seguintes informações:
- Conta gov.br;
- Documentação da aeronave, quando aplicável;
- CPF ou CNPJ correspondente ao cadastro;
- Dados do piloto;
- Local exato da operação;
- Data e horário do voo;
- Altura pretendida;
- Raio ou polígono da operação;
- Finalidade do voo;
- Perfil operacional;
- Documentos adicionais;
- Termo de Coordenação, quando necessário.
O tutorial oficial atualmente disponível indica que o acesso é realizado pelo Login Único gov.br e recomenda uma conta de nível Prata ou superior. Como a interface e os requisitos podem ser atualizados, o operador também deve observar as orientações apresentadas no próprio sistema.
Como solicitar voo no SARPAS: passo a passo

Passo 1 — Acesse o SARPAS com a conta gov.br
Entre no portal oficial do SARPAS e selecione o acesso com a conta gov.br.
Após a autenticação, o sistema poderá apresentar o perfil pessoal do usuário, organizações vinculadas, equipes, aeronaves cadastradas e solicitações anteriores.
Para solicitar uma operação em nome de uma empresa, o usuário precisa estar vinculado à organização correspondente dentro do sistema.
Passo 2 — Escolha o perfil correto
Verifique se o pedido será realizado em nome de uma pessoa física, empresa, organização governamental, equipe vinculada ou operador contratado.
A utilização de um perfil incorreto pode impedir a sincronização da aeronave, a seleção do piloto, a inclusão do CNPJ correto e o uso das permissões necessárias.
No SARPAS, uma organização é criada por uma pessoa física responsável, que poderá gerenciar os membros, as equipes e suas respectivas permissões.
Passo 3 — Sincronize a aeronave com o SISANT
No menu “Aeronaves”, selecione a opção “Sincronização SISANT”.
O CPF ou CNPJ deve coincidir nos dois sistemas. Uma aeronave cadastrada no CNPJ deve ser sincronizada pelo perfil da organização. Já uma aeronave cadastrada no CPF deve ser sincronizada pelo perfil pessoal.
Se a aeronave não aparecer, confira o CPF ou CNPJ utilizado, a validade do cadastro e o perfil selecionado. Caso o problema permaneça, consulte o SISANT da ANAC e a Central de Ajuda oficial.
E os drones de até 250 g?
A ICA 100-40/2026 passou a exigir a solicitação prévia de acesso ao espaço aéreo pelo SARPAS também para drones de até 250 g.
Em relação ao SISANT, a ANAC informa que determinadas aeronaves dessa faixa de peso são dispensadas de cadastro. Como os requisitos e o fluxo apresentado pelo sistema podem ser atualizados, siga as instruções exibidas no SARPAS.
Caso não exista uma forma legítima de incluir ou sincronizar a aeronave, consulte o atendimento oficial do DECEA. Não utilize outro modelo nem altere informações de peso para contornar o sistema.
Passo 4 — Clique em “Solicitar voo”
Com a aeronave disponível, selecione a opção “Solicitar voo”.
O sistema solicitará informações como aeronave, perfil operacional, nome da operação, piloto, tipo de voo, meios de comunicação, janela operacional, localização, altura e documentos complementares.
Passo 5 — Selecione a aeronave correta
Confirme o modelo, documento, peso, operador, validade do cadastro e finalidade admitida.
A seleção da aeronave influencia os perfis de operação apresentados pelo sistema. Não utilize uma aeronave pertencente a outra pessoa sem o compartilhamento formal dentro do SARPAS.
Passo 6 — Escolha o perfil operacional
O perfil deve corresponder à finalidade real da operação, como recreativa, profissional, aerolevantamento, operação aérea especial ou outro perfil disponibilizado pelo sistema.
Não selecione a opção “recreativo” para filmagens remuneradas, inspeções, treinamentos empresariais ou atividades institucionais.
A finalidade é determinada pelo propósito da operação, e não apenas pelo modelo ou pelo peso do drone.
Passo 7 — Indique o piloto
Selecione a pessoa que efetivamente estará no comando da aeronave.
Em uma empresa ou organização, o piloto deve estar cadastrado, vinculado ao perfil correto, possuir as permissões necessárias e estar disponível no período informado.
O solicitante do voo não precisa ser obrigatoriamente a mesma pessoa que pilotará a aeronave.
Passo 8 — Preencha as informações de comunicação
O sistema poderá solicitar informações como código de chamada, comunicação com órgão de tráfego aéreo, comunicação entre piloto e observador e meios disponíveis durante a operação.
A Central de Ajuda orienta que o código de chamada seja iniciado por “RPA” nos cenários em que esse campo for aplicável.
Declare somente os recursos de comunicação que estarão efetivamente disponíveis durante o voo.
Passo 9 — Defina a janela da operação
Informe as datas e os horários inicial e final, utilizando apenas o período realmente necessário para a operação.
Janelas excessivamente amplas ocupam o espaço aéreo sem necessidade, podem dificultar a análise e aumentam a exposição a mudanças meteorológicas e operacionais.
Confira também o padrão de horário e o fuso apresentados pelo sistema antes de concluir o preenchimento.
Passo 10 — Localize a área no mapa
O mapa permite pesquisar um ponto ou endereço, utilizar a localização do dispositivo, desenhar um círculo ou polígono, importar arquivos GEOJSON em cenários compatíveis, definir raio e altura e realizar uma análise preliminar.
Desenhe somente o volume necessário para cumprir a missão.
Áreas excessivamente grandes podem criar interseções adicionais, exigir coordenações, ampliar os prazos e provocar análise manual.
Passo 11 — Faça a análise preliminar
A ferramenta pode indicar Zonas de Restrição de Voo, conhecidas como FRZ, aeródromos, helipontos, Espaços Aéreos Condicionados e outras áreas relevantes.
Essa análise preliminar não representa uma autorização. Ela serve para antecipar possíveis impedimentos e identificar documentos ou coordenações que poderão ser exigidos.
Passo 12 — Defina a altura corretamente
Informe a menor altura capaz de atender ao objetivo da operação. Não solicite 120 metros apenas por hábito.
Considere os obstáculos, o produto desejado, a resolução necessária para as imagens, a segurança da operação, a proximidade de aeródromos, a presença de aeronaves tripuladas e as características do relevo.
Após receber a autorização, respeite simultaneamente a altura solicitada, a altitude limite e todo o volume horizontal aprovado.
Passo 13 — Anexe os documentos
Dependendo do cenário, o sistema poderá exigir:
- Termo de Coordenação;
- Documentos emitidos pela ANAC;
- Autorização para aerolevantamento;
- Autorização operacional;
- Documentos da aeronave e do operador;
- Acordos e análises operacionais;
- Outros anexos relacionados à operação.
O sistema apresentará as exigências conforme o perfil escolhido e as interseções identificadas durante a análise.
Passo 14 — Revise o resumo da solicitação
Antes de enviar, confira cuidadosamente:
- Aeronave;
- Operador;
- Piloto;
- Finalidade;
- Local;
- Raio ou polígono;
- Altura;
- Data e horário;
- Documentos;
- Informações de contato.
Os dados fornecidos são de responsabilidade do requerente. Uma autorização emitida com base em informações incorretas não protege o operador de eventuais responsabilidades.
Passo 15 — Envie e acompanhe o resultado
Após o envio, acompanhe o status da solicitação.
O pedido poderá receber autorização automática, passar por análise manual, exigir complementação de informações ou receber parecer favorável ou desfavorável.
A simples criação de um protocolo não autoriza a realização do voo. É necessário verificar o resultado e ler todas as condicionantes apresentadas pelo sistema.
Passo 16 — Cumpra a autorização durante o voo
No dia da operação, confirme o protocolo e sua validade, respeite o horário, a altura e o volume autorizado e mantenha disponíveis os contatos necessários.
Observe constantemente a presença de aeronaves tripuladas e encerre a operação diante de qualquer conflito ou condição insegura.
Mantenha os documentos da aeronave, do piloto e da autorização disponíveis durante toda a atividade.
Quais são os prazos do SARPAS?
A antecedência mínima varia de acordo com a complexidade da operação.
O prazo de 30 minutos é aplicável à Categoria Aberta e a outros cenários de menor impacto previstos pelo DECEA.
O prazo de quatro dias corridos poderá ser exigido para operações de aerolevantamento, áreas extensas ou operações com determinadas interseções no espaço aéreo.
O prazo de oito dias corridos é aplicado a cenários de maior complexidade, como operações BVLOS, voos acima de 120 metros, aeronaves com peso máximo de decolagem superior a 25 kg e operações atípicas.
A solicitação pode ser apresentada com antecedência máxima de 90 dias. O operador deve consultar o prazo correspondente à operação antes de definir sua data de execução.
O que fazer quando o pedido é negado?
Não repita a mesma solicitação sem corrigir o motivo que provocou o parecer desfavorável.
Avalie a possibilidade de reduzir a altura ou o raio, mudar o horário, o local ou a data, obter um Termo de Coordenação, corrigir documentos, ajustar o enquadramento da atividade ou providenciar uma autorização complementar.
Se a razão do parecer não estiver clara, utilize o canal de atendimento oficial do DECEA.
Erros mais comuns no SARPAS
Entre os erros mais recorrentes estão:
- CPF diferente daquele informado no SISANT;
- Tentativa de sincronizar uma aeronave registrada em CNPJ pelo perfil pessoal;
- Utilização de finalidade recreativa em uma atividade profissional;
- Solicitação de altura ou área maior do que o necessário;
- Preenchimento incorreto do horário;
- Piloto não vinculado à organização;
- Documento vencido;
- Termo de Coordenação incompleto;
- Confusão entre protocolo e autorização;
- Falta de leitura das condicionantes;
- Operação fora do volume autorizado.
Revisar todas as informações antes do envio reduz a possibilidade de atrasos, exigências adicionais e pareceres desfavoráveis.
O SARPAS é gratuito?
O acesso à plataforma e a solicitação regular de voo não são apresentados pelo DECEA como serviços pagos ao operador.
Isso não elimina possíveis custos relacionados a seguro, documentação, coordenação, autorizações complementares, contratação de profissionais, estudos ou equipamentos necessários para a operação.
SARPAS e SISANT são a mesma coisa?
Não.
O SISANT é o sistema da ANAC utilizado para cadastrar a aeronave, quando esse cadastro for aplicável.
O SARPAS é o sistema do DECEA utilizado para solicitar o acesso ao espaço aéreo brasileiro.
O cadastro ou a autorização obtida em um dos sistemas não substitui as obrigações relacionadas ao outro.
Antes de enviar a solicitação
Uma boa solicitação deve representar com precisão a operação que realmente será realizada.
Confira se o perfil escolhido corresponde à finalidade, se o piloto e a aeronave estão vinculados corretamente, se o volume solicitado é apenas o necessário e se todos os documentos e coordenações exigidos foram providenciados.
Depois do envio, acompanhe o resultado e aguarde a autorização. Protocolo não significa autorização de voo.
O que o SARPAS representa na prática?
Um dos maiores erros é tratar o SARPAS como um simples formulário burocrático.
Cada solicitação representa um volume real do espaço aéreo que poderá ser compartilhado com aviões, helicópteros, operações de segurança pública, atendimentos de emergência e outros usuários.
Por isso, solicitar o voo é apenas uma das etapas do planejamento.
O piloto precisa compreender o local, definir corretamente a altura, a área e a janela operacional, identificar possíveis interseções, providenciar as coordenações necessárias e cumprir todas as condicionantes recebidas após a autorização.
Quanto mais precisa e coerente for a solicitação em relação à missão real, melhor será a análise do espaço aéreo e menor será a possibilidade de conflitos ou exigências desnecessárias.
No SARPAS, uma boa operação começa antes do envio do pedido: começa com planejamento, informações corretas e compreensão do espaço aéreo que será utilizado.
Aprender como solicitar voo no SARPAS corretamente reduz erros, evita exigências desnecessárias e contribui para uma operação mais segura.
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